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A facilidade do julgamento

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"Quantas vezes somos os primeiros a fazer julgamentos sem saber toda a história? Será correto?"

Hoje escolho fazer uma pequena reflexão sobre o julgamento, ou seja, a facilidade como que fazemos juízos sobre os outros.

Deixei o meu carro estacionado na rua, junto a um Smart.

Era uma espaço pequeno que sobrava mas consegui estacionar – em Lisboa, qualquer espaço é visto como sendo algo precioso – estava a chover, era final de um dia de trabalho e já tinha dado 5 voltas ao quarteirão e decidi experimentar. “Ok, coube.” Fiquei feliz e fui para casa.

No dia seguinte não necessitava de andar de carro e por isso nem me preocupei a ver como estava.

2 dias depois, fui para entrar no carro e vi que tinha os para-brisas (da frente e de trás) levantados como forma de protesto. Perguntei-me:
– “O que se passa? Não estava num lugar proibido, estava bem estacionado, porque haveria de alguém ter necessidade de demostrar o seu desagrado?”

dei-me conta que o Smart já não estava estacionado e parecia que eu estava a ocupar 2 lugares, só porque sim.

De que modo este episódio tem a ver com os julgamentos que fazemos?

A pessoa que viu o meu carro estacionado a ocupar 1 lugar e meio, pensou: “Tem a mania que a rua é toda dela” – e expressou o seu descontentamento.
Eu que sabia que tinha estacionado num espaço muito pequeno, sabia que não era o caso mas a pessoa julgou sem saber toda a história.

Quantas vezes somos os primeiros a fazer julgamentos sem saber toda a história? Será correto?
Só pelo o que observamos sem sabermos o passado, de que forma aquela pessoa viveu determinado experiência e fazemos, automaticamente, o nosso julgamento?

Através de um pequeno episódio quotidiano, podemos apenas dizer “estupido, não sabe o que eu passei para estacionar o carro neste espaço“, ou dar-nos conta, quando fazemos um julgamento, parar e pensar:
– “será que tenho a legitimidade de fazer este juízo? o que sei da história da pessoa?”