"Simplificar a minha vida é focar-me naquilo que, realmente, tem importância para mim."
À medida que envelheço parece haver uma suavidade na vida e com a vida; vou-me dando conta que a minha flexibilidade corporal já não é a mesma, quando estou em recuperação de uma gripe ou de uma jantarada com amigos, o tempo para recuperar é mais lento.
A suavidade constata-se na forma como reajo às imprecisões dos outros, falo de um modo diferente, mexo-me noutro ritmo, tudo fica mais lento. Quando vou no trânsito e o automobilista da frente para, ou estaciona em 2ª fila, eu apenas travo e contorno a situação (a minha filha que me acompanha diz sempre: buzina, chama estupido, parece parvo e fica indignada pela minha passividade e compaixão).
A vida tornou-se mágica, é como se eu visse algo que dantes passava despercebido, apesar de necessitar de óculos e esta visão estar mais limitada, mas a “visão” global da vida tornou-se muito mais detalhada e nítida .
Simplificar a minha vida é focar-me naquilo que, realmente, tem importância para mim. Redescobrir um sentido de equilíbrio entre paz e propósito. É sobre encontrar consolo na escolha de abandonar aquilo que já não me serve mais e encontrar a beleza numa vida bem vivida. Tento, diariamente, encontrar a beleza da simplicidade e a riqueza em desacelerar e a abundância de deixar ir de modo a saborear a vida.
Tento focar-me no meu próprio crescimento e deixar de me comparar com os outros, incrementando a minha autoestima. Quanto mais eu melhoro a minha autoestima mais eu fico feliz com o sucesso dos outros.
Aprender a dizer “não” a muitos convites, permite-me melhorar o meu autocuidado e passar tempo de qualidade com a minha família.
Este processo é extremamente exigente pois fui educada na comparação e foi-me dito sempre: “se os outros conseguem, tu também consegues”
Obviamente, com a intenção de me dar força, de me estimular , de acreditar em mim, só que muitas vezes essa comparação era para situações que não iam ao encontro de quem eu era, das minhas competências. Então eu fazia e chegava lá, mas com um esforço enorme, com um sofrimento grande – pelo que não melhorava a minha autoestima.
Tinha um discurso de escassez pois sentia que os outros eram melhores, eu tinha chagado lá mas com um esforço enorme, passava a vida de mau humor, a reclamar, sentia que vivia na escassez de tempo, de oportunidades e isso ainda amplificava mais o meu sentir de vitima e de dor.
Na verdade tudo foi necessário para chegar ao momento presente e poder fazer esta reflexão.
Este respeito por mim, pelo meu tempo, pelo meu ritmo, proporciona-me mais felicidade que se reflete nos meus relacionamentos, e permite-me apreciar e sentir gratidão pela abundância que tenho na minha vida.
Eu aprendi a escolher o conteúdo (televisivo, redes sociais, etc) que assisto, os alimentos que ingiro, as companhias que quero ter por perto (pessoas que me contactam apenas e só para lamento e não querem mudar a sua perspectiva, vou declinando cada vez a sua presença comigo). Vou mudando o meu guarda roupa, escolhendo cores mais neutras, materiais mais sustentáveis e atemporais.
As escolhas que faço no presente, sei que terão muito impacto no meu futuro, assim tento fazer escolhas mais conscientes e não em “piloto automático”.