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Porque pessoas magoadas, tendem a magoar outras pessoas?

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É um dos maiores quebra-cabeças dos relacionamentos!

Quando após alguns meses ou anos extremamente promissores, um dos membros de um casal começa a ter um comportamento agressivo e inflexível; deixa de haver gestos de ternura, de carinho, de atenção, de amabilidade e começa a mostrar aspereza, critica e negligência.

O que aconteceu?

O mais comum é a outra pessoa do casal questionar-se o que terá feito de errado… ficar incrédula com esta mudança de comportamento.

A verdade pode ser muito mais complexa.

Em certos casos, o parceiro está de fato a ser punido, por fazer as coisas certas. O parceiro está a ser punido por não abandonar a sua companheira/o, por não expressar a sua zanga, por não gritar, por não intimidar e/ou por não humilhar.

Ele está a ser punido pela sua doçura, respeito e gentileza.

Questionamos, então, porque comportamentos gentis podem ser problemáticos?

Porque, a gentileza do parceiro pode desencadear um desejo intenso de punição pelo comportamento inadequado que um dos seus pais teve (na infância) e não o pode demonstrar pois dependia em diversas dimensões daquela pessoa.

É a própria doçura do parceiro, a sua gentileza e lealdade, a sua aversão à violência e à irracionalidade, que criam as condições perfeitas para que uma parte magoada redirecione um ressentimento e uma raiva que eram realmente devidos, mas nunca poderiam ser entregues a um pai ou a uma mãe decepcionantes.

Frequentemente, o parceiro questiona: mas o que fiz de mal?

E a resposta, por mais estranha que pareça, é:

Absolutamente nada.

E é exatamente por isso que a outra pessoa está a ser magoada.

O outro membro do casal está a proporcionar as circunstâncias semelhantes ao bebé que se sentiu abandonado, que expressou o seu desconforto e não foi atendido atempadamente. Esse membro do casal:

– está a ouvir os gritos que não foram ouvidos.

– criou as próprias condições de segurança nas quais a dor intensa pode, finalmente, encontrar uma saída.

Subjacente a este comportamento existem questões inconscientes, tais como:

Onde estavas quando eu realmente precisei de ti?

Como ousas ser tão gentil comigo quando tudo o que tive foi falta de atenção, de amor, de cuidados emocionais durante a minha vida?

Como posso lidar com essa beleza quando a dor tem sido o meu quotidiano?

Neste caso resta-nos demonstrar a nossa compaixão e uma consciência de que a pessoa que está a agir mal, ela só não tem ideia de como aceitar e retribuir esse amor.

Talvez, um dia, depois de muita reflexão e terapia, talvez muito depois do fim do relacionamento, a parte destrutiva dessa pessoa possa encontrar uma maneira de expressar a verdade para a primeira pessoa que a amou: ‘Obrigado por seres gentil o suficiente para me provocares raiva e zanga. Eu nunca te quis magoar. Eu só não fazia ideia do que fazer com esta dor, enorme, dentro de mim.’