Por vezes na nossa vida ficamos sem saber o que fazer.
Acabamos um relacionamento de forma dolorosa? E agora, o que fazer?
Devo procurar outra pessoa?
Devo passar um tempo sozinha?
Devo tentar voltar para o ex?
Ou talvez esteja a sentir dificuldades com um colega mais velho, no trabalho. Confronto-o?
Fico indiferente e não digo nada?
Falo com outros colegas? Ou procuro outro emprego?
Perante este cenário, proponho a realização de um pequeno exercício:
“Se minha vida fosse um filme, e eu fosse seu personagem central, o que o público gostaria que eu fizesse em seguida?’
A razão pela qual tal pergunta pode produzir resultados, especialmente, lúcidos é que ela, automaticamente, esclarece muitos dos preconceitos e pontos cegos que normalmente estragam o nosso julgamento.
Para começar, os filmes têm figuras centrais que amamos. Enuncio alguns aspectos que nos ajudam:
1- Temos a tendência de admirar profundamente o herói e a heroína.
Queremos que eles saiam de qualquer situação difícil em que estejam – e desejamos que eles aproveitem ao máximo suas vidas. Estamos do lado deles!
2- Não conseguimos suportar desvios sem sentido.
É muito desagradável e penoso assistir uma personagem de quem gostamos cometer um erro, voltar atrás em determinado ideal, trair-se a si mesmo ou ficar num sentimento de amargura ou de zanga de si mesmo.
3- Por mais pacientes que sejamos queremos que as coisas aconteçam nos filmes.
Não queremos perder tempo, ficamos inquietos e, cada vez mais desesperados com a negligência e a traição que o personagem pode apresentar. Não é divertido assistir alguém de quem gostamos andar em círculos, completamente perdido.
Dito de outra maneira, somos muito mais hábeis em discernir as melhores escolhas para uma personagem fictício do que para nós mesmos.
Ao pensarmos no que poderíamos fazer no filme das nossas vidas, certas opções parecem muito mais viáveis — e outras nem tanto.
Claro que o público não gostaria que voltássemos para o nosso ex.
Eles viram as discussões, ficaram horrorizados com a cena final em que nem sequer nos despedimos e agredimo-nos. E é claro que o público não gostaria que ficássemos indiferentes perante um colega que nos humilhou e maltratou.
Deveríamos aprender a olhar para os nossos dilemas através de uma lente cinematográfica:
— Se minha vida amorosa fosse um filme, o que aconteceria depois?
— Se minha carreira fosse um filme, o que aconteceria depois?
A maioria das informações de que precisamos para fazer escolhas criteriosas já está dentro de nós; elas apenas estão inacessíveis devido a um acúmulo de falta de confiança e de crenças limitantes que transportamos conosco.
Sabemos, lá no fundo, o que deveríamos fazer.