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A maior lição da vida é a transitoriedade: tudo passa

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Na sequência do texto anterior, quero trazer dois conceitos muito importantes e essenciais na abordagem gestalt:

O agora

engloba tudo o que existe no momento presente; implica o equilíbrio de estar aqui, o experienciar, o fenômeno, a awarness no momento; a tomada de consciência do momento

O como e não o porquê:

O como dá-nos perspectiva, dá-nos um entendimento do processo, dá-nos uma orientação.

O porquê procura racionalização, explicações, conduz-nos a uma explicação mas nunca a um entendimento ou a uma compreensão. O porquê conduz-nos a inquéritos sobre a causa de determinado acontecimento. E como todos sabemos cada acontecimento é multifactorial.

Dando agora um exemplo prático.

O texto que partilhei anteriormente em que expressei a minha experiência de envelhecimento e doença da minha cadela.

Se eu olhar esta experiencia pela lente da gestalt, a proposta seria mais ou menos assim:

O que estou a experienciar no aqui e agora?

Tristeza, cansaço, dor pela transformação da cadela (já não ouve, já não corre para mim quando chego a casa, já não tem todos os dentes, pelo que tenho de alterar a dieta, já não me vê bem, apenas pelo olfato, já não brinca, dorme muito, tem dificuldade em mobilizar-se, acorda a meio da noite, desorientada e tenho de acompanha-la de volta a sua cama, tem um olhar diferente….

Como posso vivenciar esta experiencia?

Dar espaço a mim própria e a toda a família permitindo-nos vivenciar estas emoções, vivendo no agora e não no passado (que já não existe) nem projetando o futuro (vai morrer) mas sim como tirar o maior partido desta situação. Ir com ela à praia, dar pequenos passeios no campo (situações que ela gostava muito e que fomos deixando de fazer quer por ela estar doente, quer ainda por outras circunstâncias externas), facilitar refeições moles, poder usufruir da sua companhia da forma que ela, neste momento, é capaz. Abraçar o que a Vida me propõe de modo sereno e alegre.

Outra forma de experienciar esta situação seria…

– lamentar dizendo nunca mais vou ter um cão para não sofrer como estou a sofrer; viver a situação como um grande peso e angústia;

– perguntar-me porque é que ela tem de passar por todas estas fases, que estou cansada e é muito triste ver e acompanhar a transformação dela;

ficar irritada quando ela demora muito tempo para fazer um trajeto que dantes fazia em metade do tempo; irritar-me cada vez que ela acorda ou estar atenta as necessidades dela e adaptar-me as novas circunstâncias (ela acorda a meio da noite porque doí-lhe o corpo e precisa de mudar de posição, então começamos a fazer turnos para poder descansarmos a vez e podermos acompanha-la nesta fase).

E tal como alguém já disse:

aprender é descobrir.

Assim a proposta que me faço, diariamente, é a seguinte:

O que posso aprender sobre mim ao cuidar da minha cadela nesta fase de vida?
O que podemos aprender enquanto família quando um dos elementos está a começar a despedir-se?

Em gestalt falamos, frequentemente, que é necessário fechar as gestaltens. o que quer isso dizer?

Quando uma Gestalten é fechada, significa que processamos e integramos totalmente determinada experiência. Quando uma Gestalt permanece aberta ou inacabada (como emoções não resolvidas, traumas não processados ou relações interrompidas), ela continua a influenciar o nosso comportamento e o bem-estar emocional no presente.

Esta situação reporta-me para situações anteriores de perda, em que não houve o tempo necessário para integrar a experiencias, quer por condicionantes internas quer externas.

A maior lição da vida é a transitoriedade. Tudo passa. Nada permanece igual.

Testemunhamos a morte ao longo da nossa vida. Perdemos empregos. Perdemos amigos. Perdemos sonhos…. Vivemos a emoção mais crua e delicada – a tristeza.