Existe um aparente paradoxo no modo como vou envelhecendo.
Quanto mais vivo, mais aprecio a existência de episódios singelos e pouco exuberantes, tal como:
– a preparação de uma refeição para amigos
– um almoço em família
– apreciação de um quadrado de chocolate
– uma caminhada pela cidade
– os primeiros morangos no vaso
– um fim de semana sem obrigações
– um banho quente
– ter dormido serenamente
– a partilha de um copo de vinho e gargalhadas com amigos
– a leitura de um livro
….
Quanto mais conheço sobre o amor, a doença, os conflitos internos e externos, a intolerância, a intransigência, mais escolho apreciar o que permanece puro e esperançoso, apesar de sua aparência modesta ou falta de glamour.
Para uma criança de 1 ano (a idade do meu neto) é apenas mais um dia e a possibilidade de começar a andar e acenar com a cabeça para dizer sim ou não….. ser capaz de dar uma torrinha quando lhe peço…
Para mim, enquanto avó sentada no chão com ele, tudo é quase sobrenatural: os dedos minúsculos, o corpo pequeno e rechonchudo, os primeiros passos, o sorriso quando me escondo e apareço, a alegria de ver a mãe, poder acompanhar a minha filha num novo papel- ser mãe.
As maravilhas simples do mundo estão constantemente sendo redescobertas.