"Como todos sabemos não é possível mudar o outro, mesmo que exista muito amor. O que podemos fazer?"
Frequentemente, os pedidos de ajuda que me chegam a consulta tem a ver com esta questão. Transcrevo algumas ideias:
– “ele é sempre desarrumado”
– “ela nunca está disponível para fazer programas comigo”
– “parece que a casa e os filhos são sempre prioritários”
– “ele está sempre a trabalhar”
– “ela chega sempre atrasada”
….
O que verifico é que a questão é sempre colocada no outro.
Ou seja, ele não faz, ele não aceita… ora como todos sabemos não é possível mudar o outro, mesmo que exista muito amor.
O que podemos fazer?
Mudar-nos a nós.
Proponho algumas sugestões que podem ajudar a melhorar a comunicação em casal e, seguramente, melhorar o relacionamento.
1- Diz-lhe como te sentes
Em vez de , bruscamente, corrigir o comportamento do parceiro, experimenta explicar – gentilmente – um pouco mais sobre como é estar no lado receptor. Pode ser muito mais fácil simpatizar com uma pessoa magoada do que com uma irritada, autoritária e exigente. No caso da tua companheira chegar atrasada ao vosso encontro, diz-lhe como te sentes ficando à espera. Permite que o outro testemunhe a tua tristeza e ansiedade em vez de se confrontar com a tua raiva ou zanga.
2- Pergunta os motivos que levam o teu/tua companheira/o a ter determinado comportamento
A suposição natural é que alguém fez algo, principalmente, para nos magoar, para nos irritar. Mas em vez de supor, de elaborar as nossas certezas, devemos substituir pela nossa curiosidade. De uma forma que provavelmente nunca fizemos antes, podemos perguntar-lhes porque têm tanta necessidade de provar o seu valor no trabalho ou porque estão frequentemente atrasados. O que esses comportamentos significam para eles? O comportamento deles pode não mudar; o que isso significa para nós (e, portanto, como respondemos a isso) pode ser transformado.
3- Transforma a fraqueza numa força
Os lados menos bons das pessoas estão quase sempre conectados com características positivas.
Por exemplo: a falta de pontualidade pode ser o lado negativo de uma pessoa muito flexível. Agradar aos outros pode ser o lado negativo da empatia; o ser demasiado rígido pode advir da dificuldade em confiar.
Uma vez que relacionamos os elos entre as falhas e seus lados positivos, aumenta também o nosso espectro de aceitação de nós mesmos e , por consequência, do outro.
4- Somos humanos e consequentemente imperfeitos
Aceitar as nossas falhas, aceitar que não temos sempre razão, aceitar as nossas imperfeições, ajuda-nos a olhar o outro por esta lente de humanidade e não de exigência e de perfeição.
5- É para sempre enquanto dura, ou seja, enquanto o contexto ou a relação nos nutre
Faremos o nosso melhor – até que nos seja possível.
O que se torna insuportável numa relação (amorosa, laboral, de amizade) é a sensação de entregamos a capacidade de ser felizes ou infelizes de acordo com o comportamento do outro.
Não devemos esquecer que está, sempre, no nosso poder recuperar a iniciativa – desde alterar a maneira como falamos até reconhecer que podemos abandonar aquela situação. O nosso relacionamento melhora quando remodelamos as nossas respostas às pessoas que eles já são. Claro que esta situação decorre quando não colocamos em causa quem somos, ou seja, quando nos mantemos leais a quem somos.