Quando falamos de constelações familiares, o que quero dizer?
A Constelação Familiar é um recurso terapêutico desenvolvido pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger.
Este recurso insere-se numa abordagem sistémica que permite desocultar bloqueios, interrupções do fluxo de amor possibilitando uma reorganização do sistema familiar.
As constelações familiares mostram-nos como os traumas dos antepassados a que nos vinculamos continuam a atuar através das gerações futuras e influenciam a vida dos descendentes.
Esta técnica terapêutica fundamenta-se em 3 leis sistémicas:
1- Hierarquia
2- Pertencimento
3- Equilíbrio entre dar e receber
Lei da hierarquia ou lei da ordem
Estabelece uma hierarquia natural em que os mais velhos são prioritários. A força vem dos mais velhos, assim os pais têm prioridade em relação aos filhos, o primeiro filho em relação ao segundo. Quem veio primeiro tem preferência, quem nasceu depois deve ser guiado a protegido. Assim, cada um de nós tem responsabilidades e deveres para com o sistema.
Quando esta ordem não é respeitada, quer pelo filho que julga e/ou substitui os pais, quer pelos pais que atribuem funções incompatíveis aos filhos, compromete-se a ordem, surgem conflitos e um emaranhado no sistema familiar.
Lei do pertencimento
A família é o primeiro grupo social do qual fazemos parte. Isso gera um vínculo que liga todos os membros da família. Quando um membro da família é excluído, desprezado ou esquecido – por exemplo, uma criança que nasceu morta -, essa consciência familiar faz com que um outro membro, geralmente de uma geração posterior, inconscientemente se identifique com a pessoa excluída. Neste emaranhado, o segundo torna-se semelhante ao primeiro e reproduz aspetos do destino dele, sem que saiba por que e sem poder evitá-lo. Deste modo, é importante a integração de todos, pois o assumir de um papel que não é o teu, é não poder ter força para conduzir a tua vida nem alcançar o teu propósito de vida.
Equilíbrio entre dar e receber
Como adultos existe um equilíbrio entre dar e receber. Quando este equilíbrio está corrompido, poderão ser desenvolvidas dinâmicas de dependência e de co dependência. Dar e receber não tem a ver com quantidade, mas sim com o valor que damos ao outro. Existe um equilíbrio vertical (eu recebo dos pais e passo para os meus filhos) e um equilíbrio horizontal (dinâmica dirigida ao casal).
O termo “tomar” (do alemão nehmen) não significa receber passivamente, mas aceitar, assumir, incorporar o que se recebe. É compreender e tomar para si o que é de direito. Nesse sentido, a criança toma os pais e o que deles recebe.
Já na relação de casal quando dar e tomar estão em desequilíbrio, quem dá demais e não toma fica “maior” perante o parceiro, tornando-se pai ou mãe do parceiro, e essa relação tende a acabar, quem recebe e não dá fica “pequeno”, sente-se pressionado e não suporta manter a relação.
Em síntese, mobilizo o seguinte pensamento:
- Não importa o que fizeram comigo, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim. - Jean Paul Sartre