"A criança que fomos um dia, ainda permanece connosco e tem uma grande influencia na nossa vida adulta. Ignorá-la, esquece-la, só vai contribuir para o aumento da nossa infelicidade, ressentimento e dor."
Neste mês em que celebramos os direitos da criança, sinto necessidade de resgatar a minha criança interior, muitas vezes esquecida, abandonada pelas obrigações do adulto.
1-O que é a criança interior?
2- Como se manifesta na vida adulta?
3- Como saber se precisamos de trabalhar com a nossa criança interior?
O que é a criança Interior?
Todos nós, enquanto seres humanos temos uma história. Construímos, lembramos uma narrativa, encontrando sentidos e significados. As experiências durante a infância e adolescência, têm um grande impacto no desenvolvimento emocional, mental, espiritual da pessoa. A infância é símbolo de espontaneidade, criatividade, capacidade de transformação e manifestação das forças vitais que conduzem ao crescimento e à autorrealização. A criança interior é uma parte da nossa psique que vivenciou determinadas experiencias e aprendeu determinados comportamentos e padrões para se adaptar a realidade circundante.
É uma parte inconsciente, onde estão registadas as nossas necessidades não satisfeitas, emoções reprimidas, a criatividade, a capacidade de brincar…
A criança que fomos um dia, ainda permanece connosco e tem uma grande influencia na nossa vida adulta. Ignorá-la, esquece-la, só vai contribuir para o aumento da nossa infelicidade, ressentimento e dor.
Como se manifesta na idade a adulta essa criança ferida?
Manifestações como rigidez de comportamentos, interrupção do fluxo de ajustamentos criativos são distúrbios do nosso processo vital. Quando perdemos a nossa energia vital e sentimo-nos num “beco sem saída” ; quando sentimos a maior parte do dia, pesados, sem graça, sem vontade de rir, tristes, zangados.
Como saber se precisamos de trabalhar com a nossa criança interior?
Quando a criança não tem permissão interna (pois não quer dar ““trabalho “ aos pais) ou externa (porque exigem que ela não se manifeste) para expressar as suas emoções como tristeza raiva, medo, frustração.
O que acontece é que ela vai crescer a esconder essas emoções e torna-se um adulto rígido, neurótico, com uma visão limitada , restrita da vida, perdemos o contato com a nossa criatividade, espontaneidade.
Todos nós temos a experiência de nossa criança ferida, quando sentimos a ausência da presença amorosa dos pais quando necessitávamos dos seus cuidados.
Hoje somos nós mesmos que temos de nos acolher; o adulto que vive dentro de nós pode e deve assistir quando a sua criança ferida, assim seremos protagonistas de nosso próprio destino!
Deste modo, resgatar essa força vital e sarar as feridas dessa criança, é urgente.
O que é para ti ser criança?
Leveza, brincadeira, natural, fluidez, autenticidade, liberdade, conexão, correr, saltar, dançar, ir ao encontro das nossas necessidades, estar no presente, imaginação, fantasia, alegria, cor, movimento, cantar, pular, rir
Já olhaste para a tua criança interior?
Que necessidades tem a tua criança? Podes permitir-te ouvi-la, senti-la, pelo menos hoje durante 5 min?
Dá-te conta como te sentes antes de ouvir as necessidades dela e depois de satisfazer as suas necessidades.
O que mudou? Como te sentes? Foi muito difícil? Exigiu mito tempo do teu dia?