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Terapia Gestalt

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Como sinto que a Terapia Gestalt te pode ajudar?

Ao desenvolver a autoconsciência, a terapia gestalt irá ajudar-te a entenderes-te melhor, a identificar de que forma as tuas escolhas afetam a tua saúde física, mental, emocional, e espiritual. Pode contribuir para aumentar os teus níveis de bem-estar, melhorar os teus relacionamentos, resgatar o equilíbrio nas tuas relações pessoais, amorosas, laborais ou familiares.
Com esse autoconhecimento, podes começar a entender melhor como o teu eu físico, mental, emocional e espiritual estão conectados e desenvolver a confiança para viver uma vida mais plena e autêntica.

A gestal-terapia pode ajudar-te através de:

  • Valorizar as tuas potencialidades;
  • Acolher as tuas escolhas, promovendo momentos de experienciar no “aqui e agora” em diferentes cenários para que possas amplificar o teu leque de escolhas, sentindo no teu corpo e não apenas os teus pensamentos.
    Por exemplo, em vez de discutir sobre algo que te aconteceu no passado, eu proponho reencenar o momento e discutir como te sentes agora – em outras palavras, realmente experimentar esses sentimentos em vez de apenas falar sobre eles. Poderei fazer perguntas tais como: “O que te está a acontecer neste momento?” ou “Como isso te faz sentir agora?”. Darei muita importância ao teu não verbal, pois o corpo tem uma sabedoria organismica, ou seja, o corpo envia-nos mensagens que, por estarmos distraídos na nossa mente, nem nos apercebamos. Esta abordagem irá resgatar, essa sabedoria tão ancestral.

Identifico-me muito com esta abordagem terapêutica pois acredito na capacidade do ser humano escolher e ser responsável pela construção do seu próprio destino, reconfigurando a sua relação consigo mesmo e com o mundo em qualquer momento da sua vida, ou seja, a pessoa orienta a sua própria existência.

Esta forma de sentir, pensar e agir, muitas vezes não foi bem acolhida, pois frequentemente somos formatados para saber o que é melhor para o outro, porque estudamos, porque supostamente sabemos mais, etc… só que agindo desta forma, contribuímos para relações de co-dependencia e não de autonomia. O que estamos a dizer ao outro é que ele não é capaz de fazer as suas próprias escolhas, assumir a orientação da sua vida. Se existe uma certeza, hoje, nesta idade madura em que me encontro, é que precisamos de resgatar a nossa liberdade. Falo por experiência própria. Durante muitos anos, cumpri com a realização de tarefas e objetivos de outros, sem me permitir dar espaço ao que sentia, ao que seria melhor para mim, qual o meu propósito de vida. A verdade é que não correu mal, visto de fora, cumpri com inúmeras tarefas e com sucesso mas, onde ficou a Ana?, os seus desejos?, as suas escolhas? – funcionei apenas em piloto automático.

Em 2009 comecei a fazer terapia, pois a sensação de insatisfação, tristeza (incompreendidos pelos outros) existia. Como costumo dizer, existe uma Ana antes da terapia e outra depois.

À medida que me foi tornando mais consciente de mim mesma e dos meus sentidos, pude começar a assumir mais responsabilidade por mim mesma, a aceitar as consequências das minhas escolhas e aumentando a minha autoconfiança, colocando limites e assumindo o que é o melhor para mim.

Aqui surge a questão: tornei-me egoísta?

Num olhar externo é possível, que seja essa a leitura.

A verdade é que quando estamos disponíveis para o outro, estando em carência connosco próprios, (damos em défice) cria-se um círculo vicioso de cobrança. Eu fiz isto por ti e não me apetecia, agora que te estou a pedir algo, tu não fazes? Quem nunca utilizou este discurso?

Fomos (pretérito perfeito) ou será que ainda somos(presente) educados para estar disponível para o outro em detrimento das nossas necessidades? Quando refletimos, analisamos, fazemos um zoom sobre os nossos padrões educacionais, familiares, percebemos que o outro é uma prioridade em detrimento da nossa pessoa.

Este círculo vicioso de cobrança conduz a situações de desrespeito connosco mesmo e, por consequência no outro. Todos precisamos de todos, mas em plenitude e não em carência. No olhar gestáltico, a pessoa é vista como um ser de infinitas potencialidades para crescer e se desenvolver, estando diariamente em construção e, portanto, inacabado. Esta ideia também me seduziu, pois temos, diariamente a possibilidade de nos melhorarmos, de alterarmos o que acreditamos estar menos adequado a nossa vida. Deste modo, é uma bênção cada dia que acordo e digo para mim mesma:

"Obrigada por mais um dia cheio de possibilidades de fazer diferente do anterior"

Digo diferente e não melhor, propositadamente, pois quando se inicia um processo de terapia, podemos ter a ilusão de que será um caminho sempre em crescendo, mas a verdade é que não é assim.

Não somo robôs, máquinas, em que manobram peças para que elas fiquem estáticas num determinado lugar. Somos humanos e como tal, estamos em constante interação com o meio ambiente e a mobilizar memórias conscientes ou inconscientes que interferem com o nosso presente.

A chave de mudança será sempre a autoconsciência.

É urgente reclamar lugares esquecidos do sentir.