"A liberdade exige responsabilidade e esta pode assustar."
Muitas vezes interrogo-me o que leva determinada pessoa a permanecer numa situação relacional que não a nutre, que até lhe causa dor, angustia, tristeza?
No espaço relacional, analisa-se, experimenta-se diferentes perspectivas sobre o desconforto daquela relação amorosa, de amizade, profissional… e mesmo depois da pessoa dizer “ eu não gosto mais daquela pessoa, eu não quero mais este casamento, eu não quero mais esta amizade… “a verdade é que dar o passo em frente e provocar a mudança, não acontece, semana após semana, mês após mês… e continuo a sentir o desalento, o sofrimento e não a força necessária para mudar.
Que variáveis podem estar na génese desta não ação, que por si só é já uma ação?
Tomando a liberdade de partilhar, apenas uma perspectiva, pois não quero ser redutora da grandiosidade do que é Ser Humano, desenvolvo algumas possibilidades que possam estar subjacentes a este comportamento.
Constelações Familiares
Se olharmos este fenómeno pela “lente” das constelações familiares, podemos colocar a hipótese de não haver a interiorização da força do pai– que segundo Bert Hellinger é aquele que nos leva para a vida, nos dá a força de desbravar novos caminhos, ousar, dar direção na Vida;
Psicoterapia Gestalt
Se olharmos pela “lente” da psicoterapia gestalt, para Fritz Perls, podemos referir alguns mecanismos de fuga, tais como: sentimentos de inferioridade, e de impotência; existe uma tendência para a autodepreciação e para a submissão a forças exteriores. Frequentemente são incapazes de ter o sentimento “ eu quero” ou “ eu sou”. A vida é sentida como algo esmagador. Frequentemente a nível inconsciente existe sentimentos de solidão e de insignificância. O individuo vê-se “livre” de estar sozinho consigo mesmo, confrontando-se com um mundo hostil. Consta-se a submissão a uma autoridade externa ou a uma autoridade internalizada, podendo assumir um papel de vitima. (na visão do modelo social de interação humana – triângulo do drama de Karpman.)
Termino com uma frase de Erich Fromm – Medo da liberdade, 1983: “o cérebro do homem vive no século XX; o coração da maior parte dos homens ainda vive na Idade da Pedra. A maioria dos homens não adquiriu maturidade para ser independente” ; e com um pensamento de Bert Hellinger “ o grande problema da nossa civilização é a infantilização dos indivíduos”, ou seja, relacionamo-nos com os outros a partir da nossa criança interior ferida e não do nosso lugar de adulto. Podemos observar que estas 2 perspectivas de “olhar” a pessoa que sofre se complementam.
Podemos também afirmar que a liberdade exige responsabilidade e esta pode assustar. Liberdade para sermos únicos, singulares!