"Somos treinados para temer a confissão; somos especialistas em não revelar as nossas vulnerabilidades."
Antes demais, precisamos de ser muito corajosos.
Precisamos de quebrar os hábitos isolados de uma vida inteira – e confiar em alguém. Cada impulso pode dizer-nos:
– Tu consegues!
– Tu és capaz!
Sempre foste, porque agora será diferente?
Somos treinados para temer a confissão; somos especialistas em não revelar as nossas vulnerabilidades.
Ao mesmo tempo, não temos mais escolha.
Podemos não conseguir se não falarmos.
E então, podemos simplesmente, ter que escrever uma mensagem ou carta um pouco como esta para alguém próximo a nós, de quem esperávamos nunca ter que depender tanto:
“Algo um pouco difícil aconteceu. Pensei que conseguiria lidar, mas não estou a conseguir. Estou me a sentir sobrecarregada e não sabia a quem recorrer.”
Precisamos de alguém que nos ajude a ter outra perspectiva:
“Tenho certeza de que consigo passar por isso, mas agora estou um pouco perdida.”
O preço da sobrevivência é a nossa queda no orgulho.
Os outros terão que nos ver a chorar, terão que saber que fizemos uma coisa idiota ou absurda, teremos que mostrar que não somos tão mentalmente coerentes quanto queríamos ser, precisaremos admitir nossa confusão, tristeza e culpa.
Provavelmente haverá lágrimas quando finalmente narrarmos a nossa história.
Pensaremos que somos “patéticos”, mas qualquer observador gentil simplesmente nos considerará tocantes e corajosos.
Eventualmente seremos capazes de olhar para trás, neste período de pesadelo com um arrepio, mas também com imensa gratidão.
Teremos aprendido uma lição – não guardar tudo para nós mesmos.