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Será o amor necessário para manter uma relação?

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"Eu amo-a tanto e no entanto não consigo manter o nosso relacionamento…"

Foi assim que iniciei um novo acompanhamento terapêutico de um jovem de 30 anos.

O amor não é um objeto inanimado; é algo vivo e orgânico, algo semelhante a uma planta ou um animal.

Ele precisa – para sobreviver – ser cuidado com, habilidade, diariamente.

A maior garantia do amor de longo prazo é não fazer quaisquer suposições quanto à sua longevidade, tal como diz Vinícius de Moraes:

– “o amor é eterno enquanto dura“.

Há sempre muitas ameaças à integridade do amor: palavras duras, impaciência, piadas maldosas, distância, flertes, textos perdidos, uma semana sem noites livres.

Todas estas variáveis vão quebrando, vão abrindo fissuras na relação. Para evitar que abram uma distância tão grande entre os dois, há que reservar algum tempo, todos os dias, para elaborar e responder mutuamente a três perguntas que parecem, enganosamente, simples.

1- De que maneira eu posso ter-te frustrado ou entristecido na última semana?

A questão pode ser difícil de levantar porque exige que desistamos da nossa crença em sermos perfeitos. Podemos hesitar em perguntar por medo de que a acusação nunca acabe, de que estaríamos desencadeando níveis ilimitados de reclamação. Mas a maioria dos parceiros não precisa que sejamos perfeitos, eles só precisam que sejamos curiosos e honestos sobre as muitas maneiras pelas quais não somos totalmente perfeitos.

2- O que foi mais desafiador em ti foi …

A frustração reprimida sufoca o amor; o afeto morre por meio do acúmulo de pequenas mágoas que não foram ventiladas quando ainda era possível se lembrar delas — e quando ainda havia boa vontade suficiente para o perdão. Somos tão bem treinados na arte de não reclamar e sentimos tanto constrangimento por sermos “difíceis” ou “carentes”, que perdemos de vista quais foram nossas decepções — mesmo quando os nossos “eus” profundos ficam dormentes com o acúmulo delas. Podemos chegar a um estágio em que uma raiva congelada nos afasta de todos os sentimentos afetuosos e de qualquer desejo de ser tocados ou abraçados por nosso parceiro.

3- O que mais aprecio em ti é….

Precisamos de repor o sentido que nos leva a, ainda, estarmos juntos. Quanto mais específicos e pessoais forem os nossos comentários apreciativos, mais eles podem convencer. Dizer que a nossa companheira é “divertida”, “inteligente” ou “interessante” não ajuda, pois é tão vago, que pode ser sobre qualquer pessoa. Mas se alguém registar a frase exata que usamos quando nos referimos à sua mãe ou à maneira precisa como nos despedimos de manhã, saberemos que existimos ,realmente , na sua mente — e podemos então confiantemente ganhar vida na nossa própria mente.

Este pequeno exercício pode levar alguns minutos mas pode ser a possibilidade de garantir a continuidade da relação.