E se fosse o teu último ano de vida?
Esta reflexão surge na sequência de um acompanhamento terapêutico recente e senti que seria importante refletir sobre a morte.
Pois dar espaço a este tema, permite que olhemos a vida de forma mais inteira e autêntica. Ao longo do texto vou partilhar o que sinto com o conceito de morte.
Ao longo da vida temos vários momentos de perda e de morte e o mais recente, para mim, foi a mudança de atividade profissional.
Em 2020 coloquei-me várias questões:
"E se este fosse o teu último ano de vida?"
Fiz-me esta questão e deixei-me impregnar com as emoções, pensamentos, imagens, memórias que a própria questão evoca .
"O que faria, se este fosse, realmente o meu ultimo ano de vida?"
"Quando é que eu senti necessidade de ser mais gentil comigo mesma, quando é que tive compaixão comigo e com as minhas circunstâncias?"
"O que quero fazer com o tempo que estou viva?"
"Como é a vida quando eu estou em sintonia com a minha essência?"
"O que é que eu sei que é verdadeiramente sobre mim própria ou são crenças, ideias , construções que desenvolvi sobre as expectativas que tinham e tenho sobre mim própria?"
"Do que estou grata, hoje?"
a pergunta que se impõe é
de que é que eu não sou grata?
É uma benção estar VIVA. O meu caminho é encontrar paz dentro de mim; não é algo fora de mim que tem de mudar . Eu preciso de mudar.
Este já não é o meu caminho. Aqui já não me sinto fiel a mim própria, sinto-me desvitalizada, em esforço, em sacrifício.
Tomei a decisão de que aquele já não era o meu caminho para a felicidade. Decidi que não me deixava moldar pelas minhas experiência de infância (medo, insegurança, falta de confiança). Eu não vou permitir que o passado me forme, negativamente, o meu presente e o meu futuro. A minha essência é ser gentil, acolhedora, compartilhar a minha presença de modo a que possa ser fonte inspiradora para outros e, assim, em 2022 iniciei outra atividade profissional- esta que agora abraço com todo o meu ser -terapeuta de saúde mental. Não quer dizer que não gostei de ser professora, pois não estava a ser sincera. Gostei muito. Os estudantes e a troca de conhecimentos, a interação foram muito importantes para mim, só que chega a um momento é que queremos diferente, não é melhor nem pior, mas sim diferente de acordo com a nossa missão de alma.
Na sequencia deste tema, questionei-me: Como gostaria de ser recordada?
Gostaria que me recordassem como alguém que as ajudou a encontrar, a resgatar o maravilhoso da Vida, que redescobrissem o bonito por detrás dos acontecimentos quotidianos, o nascer do sol, o crescimento de uma flor, o sorriso de uma criança, o olhar de alguém que passa por nós na rua e nos sorri ou sorrimos nós, um animal domestico que nos expressa o seu contentamento por nos ver.
A filosofia budista defende “ não te apegues às coisas pois tudo é impermanente” . Este despego não quer dizer que não nos deixemos impregnar pela experiencia, pois só quando a deixamos expandir por nós é que a conseguimos largar. Talvez esta frase seja sentida como paradoxal. Vou tentar dize-la de outro modo. Se nos prendemos às nossas emoções, por exemplo, amo alguém e fico com muito medo de “perder” essa pessoa, fico presa no medo, na expectativa da dor, do desgosto e não vivo a beleza de amar e ser amada. Para amar é preciso aceitar a vulnerabilidade que o amor implica.
Termino com uma frase de um livro (já lido há muitos anos e agora relido – “As 3ªf com Morrie de Mitch Albom”